#22 - Flexibilidade nas relações de trabalho
- Debate no Café

- há 1 dia
- 4 min de leitura
Para quem acompanha o mundo corporativo, o debate sobre como reter talentos e adaptar-se às novas demandas do mercado de trabalho nunca foi tão pulsante. No episódio #22 do Debate no Café, os hosts recebem uma convidada que une dois universos aparentemente distintos, mas que se fundem perfeitamente sob o conceito de flexibilidade: branding e café.
Márcio Oliveira (LinkedIn), inicia a conversa destacando que reter colaboradores é tão vital para uma empresa quanto reter clientes. Ele pontua que a pandemia quebrou tabus sobre a relação entre empresas e pessoas, dando força a novos significados para a palavra "flexibilidade" — seja em horários, local de trabalho ou benefícios. É nesse cenário que somos apresentados a Luana Alahmar, estrategista de marca na Caju e também barista formada.
Thiago Mistro Pierozzi (LinkedIn) abre o debate reforçando que vamos nos aprofundar na flexibilidade que o momento atual exige, permitindo inclusive o formato digital que viabiliza conversas online que antes eram impensáveis. Thiago destaca que o uso da tecnologia é fundamental para essa transformação nas relações laborais.
O Café como Estilo de Vida e Flexibilidade
Luana compartilha que sua trajetória, passando por consultorias como Interbrand e FutureBrand, sempre flertou com a flexibilidade. Durante a pandemia, o café, que já era uma paixão de infância em Barretos, tornou-se algo mais sério. Ela buscou formação teórica online e prática no Sofá Café, através do projeto Fazedores de Café.
Márcio observa como o interesse pelo café especial reflete uma busca por experiências diferentes, quase como um estilo de vida. Thiago complementa que essa busca por algo novo se conecta com a inovação necessária nos negócios, citando o episódio anterior com Cristiano Otoni, onde discutiram justamente a estratégia de inovação no setor cafeeiro.
A Evolução do Trabalho: Do Fordismo à Integração Total
Ao mergulhar no tema central, Luana explica que a pandemia acelerou uma mudança de comportamento que já era iminente. Ela faz um resgate histórico importante, lembrando que ainda somos condicionados pelo modelo fordista da modernidade: o trabalhador que sai do meio rural para a fábrica, cumprindo 8 horas de uma tarefa única.
Thiago intervém para analisar como a gestão de equipe precisa evoluir, pois o modelo antigo não é mais compatível com a transformação digital. Ele ressalta que a estratégia das empresas deve considerar que, com o smartphone, a linha entre o pessoal e o profissional se tornou fluida. Márcio concorda e traz o termo "work-life integration", onde o trabalho se integra à vida de forma mais orgânica, indo além do simples equilíbrio (balance).
Para Thiago, esse é um desafio estratégico para qualquer produto que vise o bem-estar do colaborador. A flexibilidade, segundo ele, exige que a tecnologia ajude a transitar com fluidez entre essas áreas da vida, garantindo que a transformação ocorra de maneira saudável.
Felicidade e o "Employee Value Proposition" (EVP)
Márcio levanta um ponto crucial: colaborador feliz gera cliente feliz. Ele menciona um relato lido no LinkedIn sobre uma padaria onde o mau humor dos funcionários afastava os clientes, provando que o clima interno transparece no negócio.
Luana reforça que as marcas "falam de dentro para fora", construídas pela cultura dos colaboradores. Ela sugere que as empresas devem olhar para os colaboradores com a mesma personalização que dedicam aos clientes. Thiago acrescenta que essa é a base de uma boa gestão: tratar o colaborador como o primeiro cliente da empresa. Ele enfatiza que o foco na equipe deve ser o pilar de qualquer transformação organizacional moderna.
Para explicar como compor esse valor, Luana utiliza a analogia da Pirâmide de Maslow para o EVP (Proposta de Valor ao Empregado):
Base: O básico contratual, como salário e benefícios tangíveis.
Meio: A experiência, incluindo modelos híbridos e jornadas flexíveis.
Topo: A conexão emocional e o propósito, onde o colaborador acredita no que faz.
O Papel do Branding na Cultura Interna
Thiago questiona sobre o movimento de profissionais de branding migrando para áreas de cultura interna. Ele vê isso como um movimento estratégico para evitar "marcas com teto de vidro", que prometem algo externamente que não sustentam internamente.
Luana confirma que, nos últimos anos, a estratégia de marca e a gestão de gente passaram a caminhar juntas. Na Caju, por exemplo, o lançamento dos pilares de cultura foi um projeto conjunto entre branding e gestão de pessoas, garantindo que a personalidade da marca estivesse alinhada aos valores vividos pela equipe.

Caju: Tecnologia e Versatilidade nos Benefícios
Ao falar da Caju, Luana explica que o nome vem da versatilidade da fruta, que pode ser doce, salgada, suco ou castanha. A ideia é que os benefícios sejam igualmente versáteis. Márcio brinca com a origem do nome, e Luana revela que o fundador, amante de caipirinha de caju, buscou algo que trouxesse sabor para o universo B2B, que costuma ser "cinza" e excessivamente corporativo.
Thiago destaca que a Caju se posiciona como uma empresa de tecnologia brasileira, uma fintech que utiliza a inovação para resolver dores crônicas do RH. Ele pontua que a estratégia de utilizar um único cartão com bandeira Visa para diversas categorias (mobilidade, cultura, saúde, alimentação) simplifica a gestão e melhora a experiência do usuário final.
Márcio reforça que essa flexibilidade tira o "pepino" das mãos do RH e do colaborador, criando um ecossistema ganha-ganha. Thiago complementa que essa é a verdadeira transformação digital aplicada ao cotidiano, onde a IA e a inteligência artificial podem, no futuro, personalizar ainda mais essas ofertas de acordo com o perfil de cada equipe.
Indicações e Encerramento
Ao final, Luana deixa recomendações valiosas para quem quer entender mais sobre comportamento e tendências:
O livro O Preço Próximo das Coisas (ou The Comfort of Things), do autor Daniel Miller, para analisar cultura e antropologia.
A obra de Derek Thompson, Hit Makers (Como as tendências nascem), essencial para mapear mudanças de comportamento.
Márcio agradece a aula sobre flexibilidade e branding, reforçando o convite para todos conhecerem as soluções da Caju. Thiago Mistro Pierozzi encerra destacando que o debate mostrou como a estratégia de colocar as pessoas no centro, apoiada por uma boa gestão e tecnologia, é o caminho para o futuro das empresas.
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