#21 - Fintechs, Educação e Inclusão Financeira
- Debate no Café

- há 1 dia
- 4 min de leitura
Se de um lado temos um número impressionante de brasileiros endividados ou sem conta em banco, do outro existe a necessidade vital das empresas realizarem pagamentos e prestarem serviços aos seus colaboradores. Em 2022, cerca de 65 milhões de brasileiros estavam endividados e, em 2021, aproximadamente 16 milhões não possuíam conta bancária. Como as fintechs podem ajudar a transformar esse cenário?
Para debater esse tema, estamos de volta com mais um Debate no Café.
Olá, eu sou Márcio Oliveira, e hoje estou acompanhado por Thiago Mistro Pierozzi.
Nossos convidados são Nayana Branco, vice-presidente de RH da Somapay, e Fernando Gurgel, CEO da mesma instituição.
Márcio Oliveira: Thiago, esses números de desbancarizados e endividados que você trouxe são impressionantes. Estamos falando de milhões de pessoas fora do sistema financeiro em um mundo que é cada vez mais digital. Como vocês, Nayana e Fernando, enxergam o impacto disso na vida das pessoas e na economia?
Fernando Gurgel: Quando você tem desbancarização, você gera informalidade. Isso é ruim porque o indivíduo não consegue ter um histórico ou uma trilha financeira. Sem isso, ele não acessa o crédito formal para financiar um negócio ou mesmo uma compra básica, o que aumenta a desigualdade no Brasil. Trazer essas pessoas para a formalidade é o grande desafio e, ao mesmo tempo, a grande oportunidade do setor.
Nayana Branco: Exatamente. Vemos uma oportunidade enorme nessa faixa entre 18 e 29 anos, que são as pessoas no primeiro emprego. Na Somapay, ajudamos os empreendedores a abrir essas contas com facilidade, inserindo esse jovem no sistema.
Thiago: É um ponto crucial, pois a transformação do mercado passa por entender que essa massa de pessoas, muitas vezes das classes C, D e E, enfrenta barreiras para o básico, como um cartão ou uma transferência. Para nós, a estratégia de inclusão deve ser o pilar de qualquer produto que queira realmente causar impacto no ecossistema digital.
Márcio: Tem a questão cultural também. Muitos profissionais autônomos, como um chaveiro que atendeu na minha casa recentemente, nem consideram abrir conta porque acham que não vão conseguir ou não têm a educação financeira necessária. No meu caso, precisei sair para sacar dinheiro porque ele não aceitava nada além de papel moeda. Como mudar essa cultura?
Nayana: Começa pela educação. Muitos acreditam apenas no que podem "pegar", no dinheiro físico. Mas o Pix trouxe uma adesão grande. Mesmo quem não tem conta própria, às vezes usa a de um parente porque entendeu que o Pix funciona 24 horas e o dinheiro cai na hora. A democratização promovida pelo Banco Central com essas novas ferramentas é fundamental.
Thiago: E nessa transformação digital, entra o papel do Open Banking, ou Open Finance. Fernando, você concorda que o compartilhamento de dados é o que permitirá que a tecnologia ofereça propostas mais baratas e personalizadas para esse público?
Fernando: Com certeza, Thiago. O dado pertence ao cliente. Com o Open Finance, os bancos têm acesso ao histórico e podem brigar para oferecer algo melhor. Mas para que isso escale, precisamos de confiança.
Márcio: Falando em confiança, não podemos esquecer das fraudes e ataques hackers. Como o público que está entrando agora no sistema reage a esse medo?
Fernando: As instituições brasileiras são das mais seguras do mundo em segurança cibernética porque o brasileiro é "criativo", então o sistema precisa ser robusto. A grande maioria das fraudes ocorre quando o cliente é enganado e compartilha senhas ou acessa sites falsos. O foco precisa ser educar para que as pessoas conheçam os perigos.

Nayana: Uma pesquisa da Serasa indicou que muitas empresas não tinham ferramentas adequadas para "conhecer seu cliente" no ambiente online. Ter ferramentas antifraude hoje no Brasil é imperativo.
Thiago: No desenvolvimento de um produto, a gestão da segurança deve caminhar lado a lado com a experiência do usuário. Não adianta ter uma tecnologia avançada se a equipe não foca em criar camadas de proteção que sejam invisíveis, mas eficazes para o usuário final.
Márcio: A experiência do cliente é tudo. Recentemente abri três contas: duas em bancos tradicionais e uma em um banco digital para meus filhos. As experiências foram do "tradicional papelório" à abertura em menos de uma hora no digital. Como é esse processo na Somapay?
Nayana: Eu sou muito exigente com isso. Nossa abertura de conta é totalmente digital e o contrato é assinado digitalmente. Temos clientes desde a construção civil até o grande varejo. O desafio é quando o colaborador não tem smartphone ou não sabe mexer. Nesses casos, temos uma equipe dedicada para ajudar no passo a passo da abertura.
Thiago: Esse é o conceito de combater o "analfabetismo digital". Nem todo mundo está capacitado para usar as ferramentas de IA ou as interfaces complexas que a transformação digital trouxe. Nosso papel é simplificar a tecnologia para que ela seja inclusiva de verdade.
Fernando: No RH, resolvemos dores como a entrega do olerite digital, que antes era manual e desorganizada. Hoje, o funcionário tem tudo no aplicativo. Além disso, estamos focando no uso consciente do crédito. Não é para pegar dinheiro para um churrasco, mas sim para uma emergência, como um remédio ou alimentação.
Nayana: E para quem quer se aprofundar nesse ecossistema, eu recomendo o livro Fênix: o fenômeno das fintechs. Ele dá um overview excelente sobre como esse mercado está mudando o mundo.
Thiago: Realmente, Fernando e Nayana, a inovação no setor de gestão financeira e de RH é o que permite que uma equipe estratégica entregue valor real na ponta. A estratégia da Somapay de usar a inteligência artificial e a transformação digital para facilitar a vida do trabalhador é o que o mercado precisa. Ver que vocês conseguiram a autorização do Banco Central para operar como uma Sociedade de Crédito Direto mostra que o produto de vocês está no caminho certo da tecnologia.
Márcio Oliveira: O Brasil é um país cheio de problemas e, consequentemente, cheio de oportunidades para quem traz soluções como as de vocês. Muito sucesso na jornada!
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