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#27 - Conteúdo Digital pela TV

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    Debate no Café
  • há 2 dias
  • 6 min de leitura

Bem-vindos a mais um resumo detalhado do Debate no Café.


No episódio de hoje, mergulhamos no universo do conteúdo digital e na sua convergência com a televisão, um meio que muitos julgavam estar perdendo espaço, mas que se reinventou através da conectividade. Recebemos Bruno Gomes, publicitário e Head de Vendas e Parcerias na Tastemade, com passagens marcantes pela Editora Abril e Porta dos Fundos, para discutir como a atenção do consumidor se tornou o ativo mais valioso do mercado atual.


Segundo relatórios da IAB, o Brasil investiu aproximadamente 24 bilhões de reais em publicidade digital em 2020. Dados da Smart Clip em parceria com a Nielsen revelam que 89% dos brasileiros já utilizam TVs conectadas, sendo o streaming o principal motor dessa mudança. Diante desse cenário, Thiago Mistro Pierozzi e Márcio Oliveira conduziram uma conversa profunda sobre as transformações na produção e no consumo de conteúdo.



A Era da Atenção e a Disputa pelo Tempo

Bruno Gomes abriu o debate destacando que vivemos em um momento de revolução que será estudado nas próximas décadas. Ele pontuou que, com a democratização do acesso a dados e a facilidade de produção via internet, saímos da era do conhecimento para a "era da atenção".


Para o convidado, os modelos de concorrência mudaram drasticamente. Hoje, as empresas não competem apenas pelo dinheiro do cliente, mas pelo seu tempo. "Quem tem a atenção tem tudo hoje do consumidor", afirmou Bruno. Thiago concordou, ressaltando que essa mudança exige uma nova estratégia das marcas, pois o digital permitiu que qualquer pessoa se tornasse um produtor de conteúdo, inundando o mercado com ofertas variadas.


Márcio Oliveira questionou como essa abundância afeta a qualidade do que consumimos. Bruno relembrou o marco de 2012, quando o YouTube passou a ser encarado com mais seriedade no Brasil, surgindo canais como a Tastemade e o Porta dos Fundos, que trouxeram uma produção mais qualificada e profissional para a plataforma.


O Retorno do Protagonismo da TV

Um dos pontos mais interessantes discutidos foi o movimento pendular da atenção do consumidor. Após um período de foco total em "pequenas telas" como computadores e smartphones, o aparelho de televisão recuperou seu protagonismo.

Bruno explicou que, embora o dispositivo seja o mesmo, a experiência mudou. Com telas maiores e a ascensão do streaming, o conteúdo digital precisou evoluir. Se no smartphone consumimos vídeos rápidos de dois ou três minutos, na TV o público aceita conteúdos mais longos, melhor produzidos e com um storytelling mais elaborado.

Márcio observou que a Copa do Mundo é sempre um catalisador para a venda de televisores e para a evolução desse consumo. Bruno compartilhou um caso curioso da Argentina, que inclusive virou um livro (referindo-se à estratégia da Noblex na Copa de 2018), onde uma marca prometeu devolver o dinheiro das TVs se a seleção não se classificasse. Esse tipo de conexão emocional e estratégica demonstra como o meio ainda é poderoso quando aliado à criatividade.


"O conteúdo é onde eu vou me entreter ou me informar. Quando a marca tenta ser a protagonista absoluta, não é conteúdo, é publicidade." — Bruno Gomes

Conteúdo vs. Publicidade: A Linha Tênue

Márcio levantou uma dúvida crucial: tudo o que está disponível na internet pode ser considerado conteúdo? Bruno acredita que sim, mas ressalta a necessidade de curadoria para evitar o consumo de "lixo" digital. Ele destacou que as marcas estão assumindo cada vez mais o papel de publishers, mas muitas ainda falham ao não entender a diferença entre um conteúdo genuíno e uma publicidade disfarçada.

Para Thiago, a transformação digital exige que as marcas tenham responsabilidade na produção. Ele defende que uma gestão eficiente de conteúdo deve priorizar a entrega de valor real, seja através do entretenimento ou da informação. Bruno exemplificou com o caso da marca Bis no Instagram, que personifica o produto e entra em tendências (trends) de forma orgânica, criando um relacionamento diário com o seguidor antes de tentar vender algo.


Thiago pontuou que, sob sua visão de produto e inovação, o engajamento é o que realmente importa no ecossistema digital. Não se trata de interromper o usuário, mas de se integrar à sua rotina. Bruno complementou citando o modelo do Porta dos Fundos: se você tirar a marca de um vídeo e ele continuar sendo engraçado, então ele é um conteúdo de verdade. A identificação do público com situações reais é o que gera a verdadeira conexão.



Cultura de Inovação e Testes Constantes

Ao ser questionado por Márcio Oliveira sobre como se diferenciar em um mercado tão saturado, Bruno foi enfático: a solução é a inovação contínua. Ele acredita que as empresas precisam implementar uma cultura de inovação que permita testar novos formatos rapidamente e sem medo de errar.


"O digital é um lugar onde você pode errar, pedir desculpas e tentar de novo. O público valoriza a tentativa de criar algo diferente", afirmou Bruno.

Thiago reforçou que sua equipe busca sempre o aprimoramento tecnológico para acompanhar as mudanças de comportamento, que hoje ocorrem em ciclos muito curtos.


Um exemplo dessa evolução são as lives de e-commerce, um formato que plataformas como TikTok e YouTube estão tentando aperfeiçoar para converter vendas diretamente no vídeo, eliminando fricções no processo de compra. Bruno mencionou que o próximo passo estratégico é o uso de inteligência artificial para identificar objetos em cena — como os óculos que ele usava ou a camisa de um apresentador — e permitir que o espectador os compre com um clique.


QR Codes e a Desmaterialização do Consumo

Márcio lembrou que o QR Code, inicialmente visto como uma tecnologia passageira, tornou-se a solução ideal para conectar a TV ao ambiente de conversão do celular. Dados mostram que 81% das pessoas que interagiram com QR Codes na TV já realizaram compras por esse meio.


Bruno explicou que o objetivo é diminuir o tempo entre o desejo e a ação. Thiago comentou que essa desmaterialização do consumo, onde você vê uma receita na Tastemade e, com poucos cliques, recebe os ingredientes em casa via aplicativos de entrega rápida, é um exemplo claro de como a tecnologia está a serviço da conveniência. Esse encurtamento do funil de vendas é uma transformação fundamental no comportamento do consumidor moderno.


O Futuro: Metaverso e Novas Fronteiras

A conversa também tocou no polêmico tema do metaverso. Bruno Gomes mostrou-se cauteloso, acreditando que a tecnologia ainda precisa de mais acesso a dados e melhor infraestrutura, como o 5G, para se tornar verdadeiramente mainstream. Ele comparou o estágio atual do metaverso com o início da internet comercial nos anos 90: sabemos que há potencial, mas a experiência final ainda não foi totalmente definida ou alcançada.


Apesar das limitações técnicas, Bruno destacou que marcas já estão testando esse ambiente, vendendo itens digitais (skins) em jogos, o que demonstra uma mudança na percepção de valor pelas gerações mais novas. Thiago ressaltou que sua estratégia envolve olhar para essas tecnologias emergentes com curiosidade, mas mantendo o foco no que traz resultados tangíveis e engajamento real no presente.


Métricas que Realmente Importam

Para encerrar, Bruno deu uma dica valiosa para quem trabalha com marketing digital: parem de olhar apenas para o número de visualizações (views). Para ele, o engajamento, o compartilhamento e a conversa gerada pelo conteúdo são métricas muito mais qualificadas e estratégicas.


Thiago Mistro Pierozzi concluiu reforçando que o foco deve ser sempre na qualidade e na relevância para o nicho ou comunidade que se deseja atingir. É melhor ter 100 mil visualizações de um público engajado do que um milhão de visualizações vazias de três segundos.


Este debate deixou claro que, em um mundo saturado de informação, a autenticidade e a capacidade de inovar são os diferenciais que mantêm uma marca relevante na tela do consumidor, seja ela qual for.


Gostou deste debate sobre o futuro do conteúdo digital e da TV? Não deixe de acompanhar o Debate no Café para mais discussões estratégicas com líderes de mercado.


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