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#28 - Fintechs, uma alternativa para PME´s

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    Debate no Café
  • há 2 dias
  • 6 min de leitura

O cenário das soluções financeiras no Brasil vive uma expansão sem precedentes, com o surgimento de nichos variados e novas regulamentações que impulsionam o crescimento diário das fintechs. Atualmente, plataformas mapeiam mais de 1.500 fintechs cadastradas em aproximadamente 14 setores distintos, abrangendo desde meios de pagamento e investimentos até criptomoedas e, fundamentalmente, o crédito. Para explorar esse universo e entender o diferencial dessas empresas frente aos gigantes bancários tradicionais, recebemos no Debate no Café o convidado Felipe Avelar, fundador e CEO da fimPlace.


Com mais de 27 anos de experiência em auditoria, contabilidade e consultoria financeira, tendo atuado em grandes multinacionais, Felipe Avelar trouxe sua visão estratégica sobre como a tecnologia está transformando o acesso ao capital para pequenas e médias empresas. Ao lado dele, os hosts Márcio Oliveira e Thiago Mistro Pierozzi conduziram uma conversa profunda sobre inovação, regulação e o futuro do sistema financeiro nacional.



O Boom das Fintechs e a Especialização do Crédito

A conversa iniciou com uma reflexão sobre a vastidão do ecossistema atual. Thiago Mistro Pierozzi pontuou que a tecnologia digital permitiu o surgimento de uma diversidade enorme de serviços, desde back office até bancos digitais completos. Para Thiago, entender como cada produto se encaixa na estratégia das empresas é fundamental para a transformação digital do setor. Ele questionou Felipe sobre o que define, na essência, uma fintech de crédito dentro desse mar de 1.500 empresas.

Felipe explicou que o movimento das fintechs, intensificado a partir de 2008, caracteriza-se por startups com tecnologia ostensiva aplicadas ao mundo financeiro. No caso específico da vertical de crédito, existem diversas ramificações, como a transacional e a de intermediação. A fimPlace, por exemplo, atua conectando o tomador de crédito ao financiador através de uma robusta camada de tecnologia embarcada, aproveitando a abertura proporcionada pelo Open Banking e Open Finance para desverticalizar e descentralizar processos.


O foco da atuação de Felipe é o mercado B2B (business-to-business), facilitando empréstimos de capital de giro de curto prazo, antecipação de recebíveis e cédulas de crédito bancário (CCB). Márcio Oliveira quis entender como uma fintech consegue competir em um mercado onde cinco ou seis grandes bancos historicamente concentram cerca de 80% de todo o crédito oferecido no país.


O Cliente no Centro da Estratégia

Para Felipe, a audácia das fintechs em concorrer com instituições centenárias nasce de um desejo orgânico do consumidor de não ficar refém de poucas opções e regras rígidas. Ele destacou que a inovação surge da necessidade de colocar o cliente no centro, algo que o poder executivo e os órgãos reguladores começaram a apoiar através de marcos legais.

"O grande ponto não é concorrer com grandes bancos, é atender a demanda do cliente com esse foco."

Thiago ressaltou que esse foco no cliente é um pilar estratégico para qualquer equipe que busca a transformação de um setor. Thiago observou que a tecnologia de IA e a inteligência artificial podem ser aliadas nesse processo de escuta ativa. Felipe concordou, mencionando que, embora o modelo seja B2B, no final do dia é uma relação de "pessoa para pessoa". A experiência de 12 anos de Felipe como financiador e consultor permitiu que ele identificasse as dores tanto de quem empresta quanto de quem precisa do crédito, unindo esse know-how para criar o modelo da fimPlace.


Regulação, Confiança e Segurança do Sistema

Um ponto crucial levantado por Márcio foi a questão da confiança. Em um mercado onde a relação com grandes bancos é baseada na segurança de saber onde o dinheiro está, como as fintechs conquistam o empresário?. Márcio questionou para onde o mercado caminha com essa abertura regulatória.


Felipe contextualizou que o movimento de retirar intermediários começou no Vale do Silício e é um caminho sem volta na forma de gerir recursos. No Brasil, o Banco Central decidiu "entrar na dança" de forma sábia, criando regras que garantem a segurança do sistema. Ele explicou que toda instituição autorizada precisa seguir o conceito de Basileia, mantendo garantias junto ao Tesouro Nacional para evitar calotes.


Além disso, Felipe esclareceu que muitas fintechs, como a fimPlace, atuam na camada de serviço e não na custódia direta do dinheiro. Os fechamentos financeiros continuam ocorrendo dentro do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), muitas vezes utilizando grandes bancos custodiantes como Bradesco ou Itaú. Assim, a tecnologia das fintechs oferece uma camada de atendimento e experiência do usuário (UX) muito mais amigável, enquanto a segurança final permanece sob a égide das normas rigorosas do Banco Central. Márcio Oliveira reforçou que essa abertura controlada mantém o sistema impoluto e seguro, sendo um dos melhores do mundo.



Os Impactos do Open Banking e do Pix no Dia a Dia

A conversa avançou para as mudanças práticas trazidas por termos como Open Banking, Open Finance e Pix. Márcio perguntou o que, de fato, o pequeno e médio empresário ganha com essas inovações além de nomes bonitos em inglês.

Felipe explicou que, anteriormente, cada solicitação de crédito exigia a montagem de um "kit banco" manual e interminável, com balanços e documentos físicos. Com o Open Finance, os dados tornam-se interoperáveis. Desde que autorizado pelo empreendedor, conforme a LGPD, o histórico financeiro pode ser compartilhado entre instituições, eliminando a necessidade de provar a mesma informação repetidamente. Thiago pontuou que essa inovação no produto financeiro reduz o esforço da gestão e otimiza o tempo da equipe, permitindo uma estratégia de crescimento mais ágil.

Sobre o Pix, Felipe destacou que ele transformou transações que antes eram offline (e que muitas vezes falhavam por erros de digitação em DOCs ou TEDs) em operações online e seguras. A confirmação de dados antes do envio mitigou erros e acelerou a velocidade da economia, trazendo segurança transacional para o B2B.


A Tecnologia da fimPlace: Scanner, Match e Score

Ao detalhar o funcionamento da fimPlace, Felipe revelou que a empresa nasceu para dar poder ao empresário de PME, setor que representa 32% do PIB brasileiro e sustenta 62% dos empregos formais. Thiago notou que a tecnologia digital da plataforma funciona como um marketplace estratégico de crédito.


A fimPlace utiliza motores tecnológicos próprios, apelidados de "Fin Scanner", "Fin Match" e "Fin Score". O "Fin Scanner" mapeia e escaneia o perfil do cliente automaticamente via Open Banking, consolidando o dossiê que antes era manual. O "Fin Match" conecta essa demanda específica com a instituição financeira que tem o perfil exato para aquele tipo de crédito, evitando que o empresário perca tempo procurando no lugar errado.


Felipe destacou que a plataforma já transacionou mais de 1,9 bilhão de reais, conectando mais de 3.300 clientes a 125 instituições financeiras. Ele enfatizou que sua gestão é "pé no chão", focada em dar lucro e equilíbrio antes de buscar captações desenfreadas de investimento. Thiago elogiou essa postura, afirmando que a inovação real exige uma estratégia sustentável e que o uso de IA e tecnologia deve servir para estabilizar o negócio, não apenas para criar bolhas de mercado.


O Desafio da Educação Financeira

Um tema recorrente nos debates do Café é a falta de educação financeira na base da sociedade brasileira. Thiago expressou sua defesa de que essa deveria ser uma matéria escolar obrigatória para que as pessoas entendam macroeconomia e inflação desde cedo. Márcio concordou, notando que muitos pequenos empreendedores ainda misturam contas pessoais com as da empresa, gerando uma "bagunça" na gestão.

Felipe, que tem formação em contabilidade, mencionou o legado de Luca Pacioli (Summa de Arithmetica, Geometria, Proportioni et Proportionalita), o pai da contabilidade moderna, para ilustrar como a ciência contábil deveria ser uma disciplina presente em todos os cursos. Ele explicou que a fimPlace tenta educar o empresário "por osmose", entregando ferramentas que mostram o melhor caminho a seguir entre diferentes opções de crédito, alertando sobre taxas como a SELIC.

"Fluxo de caixa faz parte do core de qualquer empresa de qualquer segmento."

Márcio reforçou que a tomada de decisão baseada em conhecimento, mesmo que mínimo, permite que o empresário durma mais tranquilo. Thiago Mistro Pierozzi complementou que a transformação digital deve vir acompanhada de uma transformação na mentalidade da gestão, onde o produto tecnológico serve como um suporte para o crescimento educado e estratégico da equipe.


Considerações Finais e O Futuro do Crédito

Ao finalizar o debate, Felipe expressou seu desejo de continuar ajudando as PMEs, especialmente no cenário pós-pandemia, onde o crédito funciona como uma alavanca vital para a estabilização do fluxo de caixa. Thiago agradeceu a participação de Felipe, ressaltando que a tecnologia digital e a inovação no setor de crédito são fundamentais para descentralizar o sistema bancário brasileiro e promover um ecossistema mais justo. Márcio Oliveira encerrou destacando a importância de disseminar esse conhecimento através de canais como o YouTube e podcasts, convidando todos a continuarem acompanhando as discussões que moldam o mercado financeiro atual.


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Nos vemos no próximo Debate no Café com Thiago Mistro Pierozzi e Márcio Oliveira!

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