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#31 - Equity Crowdfunding e Startups

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    Debate no Café
  • há 16 horas
  • 6 min de leitura

Seja muito bem-vindo a mais um debate no Café. Hoje, mergulhamos em um tema que está transformando o cenário de investimentos no Brasil: o equity crowdfunding. Com a entrada em vigor da resolução CVM 88 em julho de 2022, o setor de captação de recursos para startups passou por uma modernização significativa, trazendo benefícios tanto para investidores que desejam diversificar quanto para empreendedores em busca de capital.


Para desbravar esse ecossistema, o host Márcio Oliveira e o especialista em estratégia e inovação Thiago Mistro Pierozzi recebem Brian Begnoche, sócio-fundador e Chief Revenue Officer da EqSeed. Brian, economista e linguista que reside no Brasil desde 2008, traz sua vasta experiência em marketing e vendas para explicar como qualquer pessoa pode, hoje, investir em empresas privadas de forma totalmente digital e online.



A Evolução do Investimento e a Desbancarização no Brasil

O debate começou com uma reflexão de Márcio Oliveira sobre como o acesso ao mercado financeiro mudou drasticamente. Antigamente, o investidor brasileiro estava restrito aos grandes bancos, limitando-se à caderneta de poupança ou a produtos definidos pela própria instituição financeira. Márcio ressaltou que o surgimento de bancos digitais, fintechs e plataformas de investimento trouxe uma maior liberdade e interesse para a pessoa física olhar para o home broker e outros modelos de aplicação.


Brian concordou, destacando que esse movimento de "desbancarização", liderado por grandes corretoras e novas plataformas, empoderou o investidor. Agora, o investidor tem mais controle, taxas menores e a agilidade necessária para montar uma carteira que reflita suas metas de curto, médio e longo prazo. No entanto, Thiago pontuou que, apesar desse avanço digital, o investimento direto em startups ainda era algo restrito a grandes fundos ou investidores anjos profissionais.


Thiago Mistro Pierozzi destacou que a tecnologia e a transformação digital foram os grandes motores dessa mudança, permitindo que a inovação chegasse à ponta do investidor comum. Segundo Thiago, para uma gestão eficiente do patrimônio, é estratégico olhar para o produto dessas empresas privadas antes mesmo de elas se tornarem unicórnios.


O que Mudou com a Resolução CVM 88?

Um dos pontos centrais da nossa conversa foi o impacto regulatório. Brian explicou que, inicialmente, as captações de startups seguiam regras muito complexas, como a CVM 400, voltada para grandes ofertas públicas de bilhões de reais. Percebendo que startups captam valores menores — entre 1 a 5 milhões — a CVM criou a instrução 588 em 2017, que foi recentemente substituída pela resolução 88.


Márcio Oliveira questionou quais foram as mudanças práticas dessa nova regra. Brian detalhou que os limites de captação aumentaram substancialmente: empresas com faturamento anual de até R$ 40 milhões agora podem captar rodadas de até R$ 15 milhões por ano. Isso permite que empresas mais maduras utilizem o modelo, oferecendo ao investidor a chance de diversificar em diferentes estágios de maturidade, equilibrando risco e retorno.


Além disso, a nova regra trouxe a obrigatoriedade de um sistema de escrituração simplificada e abriu as portas para um mercado secundário limitado. Isso significa que o investidor que deseja liquidez antes de um evento de saída (como uma aquisição ou IPO) pode manifestar o interesse de vender sua participação para outros investidores dentro da própria plataforma.


A Estratégia de Diversificação e o Perfil de Risco

Ao falar sobre a jornada do investidor, Brian foi enfático sobre a natureza desse ativo: é um investimento de alto risco, baixo liquidez e longo prazo. Thiago Mistro Pierozzi reforçou que a estratégia aqui não deve ser a de "apostar tudo em uma única ficha", mas sim focar na inovação e na construção de uma equipe sólida que suporte o crescimento. Para Thiago, a gestão dessa carteira exige inteligência artificial ou ferramentas de análise que ajudem a identificar o potencial estratégico de cada tecnologia emergente no portfólio.

"A ideia é que muitas vezes não vão dar certo, isso faz parte do jogo... mas aquela uma, duas ou três numa carteira de 10 a 20 que dão certo, quando dão muito certo, podem gerar retornos de 10, 20 ou até 100 vezes o valor investido, cobrindo as perdas do resto da carteira."

Márcio trouxe um dado relevante sobre o perfil do brasileiro, que historicamente tem aversão ao risco e pouca educação financeira, com 60% da população ainda sem realizar investimentos ou presos à poupança. Brian explicou que as regras da CVM existem justamente para proteger esse público, estabelecendo limites baseados na renda ou no patrimônio financeiro. Por exemplo, investidores com renda bruta anual de até R$ 200 mil têm um teto fixo de investimento de R$ 20 mil por ano em plataformas de crowdfunding.


Do "Friends and Family" ao Crescimento Acelerado

Márcio perguntou sobre em que estágio as empresas costumam chegar às plataformas como a EqSeed. Brian esclareceu que a maioria já passou da fase inicial de "dinheiro de amigos e família" e já possui faturamento e um modelo de negócio validado. O capital captado serve para escalar a operação, ou seja, gastar mais do que faturam no curto prazo para dominar o mercado rapidamente.

Thiago comentou que essa transformação digital permite que empresas busquem o crescimento acelerado em vez do lucro imediato (break-even), algo típico da economia digital. Para Thiago, a estratégia de produto deve estar alinhada à capacidade de escala da tecnologia, garantindo que a equipe consiga sustentar esse crescimento de forma estruturada.


Brian trouxe o exemplo curioso de empresas menos tecnológicas, como a Carioca Cervejaria, que também captou via equity crowdfunding. Ele explicou que o filtro da plataforma é rigoroso: menos de 1% das empresas que aplicam são selecionadas para os investidores. O critério não é apenas a tecnologia em si, mas a escalabilidade e o potencial de ser adquirida por uma gigante do setor, como uma AMBEV, gerando o retorno esperado.


Direitos do Investidor: Como Funciona na Prática?

Uma dúvida comum levantada por Thiago foi sobre os direitos de quem investe. Thiago perguntou se o investidor se torna sócio imediato no contrato social. Brian explicou que, juridicamente, o investimento costuma ser feito via "nota conversível". Isso protege o investidor e a empresa de burocracias excessivas das sociedades limitadas.


O investidor atua como um credor que tem o direito de converter seu aporte em participação societária (equity) no futuro, geralmente quando a empresa se transforma em uma Sociedade Anônima (S/A) ou atinge certos gatilhos de investimento. Brian ressaltou que ter equity é a base das maiores fortunas do mundo, pois dá direito a dividendos e à valorização do patrimônio em caso de venda da empresa.


Para ilustrar, ele citou casos de sucesso da EqSeed, como a fintech DinDin, comprada pelo Bradesco, e a Green, adquirida pela AES Energia. Em média, esses retornos ocorreram em menos de três anos, um prazo muito mais rápido do que o mercado de capitais tradicionalmente previa para esse tipo de ativo.



Conselhos Finais: Empreender e Investir com Inteligência

Caminhando para o encerramento, Márcio Oliveira pediu recados finais para dois públicos: os empreendedores e os investidores. Brian aconselhou os fundadores a serem inteligentes na persistência. Ele sugeriu que não se apeguem cegamente ao plano original do Excel ou PowerPoint e estejam prontos para "pivotar" o modelo de negócio conforme aprendem com o mercado.


Para os investidores, Brian recomendou a educação financeira contínua e a experiência prática. Com aportes mínimos a partir de R$ 5 mil, é possível começar a aprender na prática como funciona esse ecossistema, sempre respeitando o perfil de risco individual.


Thiago Mistro Pierozzi encerrou sua participação reforçando que a inovação tecnológica e o uso de IA na gestão de novos negócios são tendências irreversíveis. Thiago acredita que a estratégia digital deve ser o norte para qualquer equipe que busca destaque no mercado atual. Para ele, a transformação digital não é apenas um termo técnico, mas uma necessidade estratégica para quem deseja liderar no futuro.


Márcio agradeceu a aula proporcionada por Brian, comparando o debate a um módulo de MBA. Foi um diálogo enriquecedor que demonstrou como o acesso a redes de alto nível e ao ecossistema de startups está cada vez mais democratizado.


Esperamos que este conteúdo tenha agregado valor à sua jornada financeira e empreendedora. Se você gostou deste debate entre Márcio Oliveira e Thiago Mistro Pierozzi, não deixe de acompanhar nossos próximos episódios.


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